A Quinta de Villar d'Allen é um dos mais notáveis testemunhos do património paisagístico, histórico e botânico da cidade do Porto. Situada na zona do Freixo, esta propriedade teve origem em 1839, quando João Allen, cônsul de Inglaterra no Porto, comerciante de vinho e reconhecido colecionador de arte, a adquiriu para construir a sua residência de verão e criar um jardim inspirado no estilo paisagista inglês, um dos primeiros exemplos deste género em Portugal.
Figura marcante da sociedade portuense do século XIX, João Allen fundou o primeiro museu privado aberto ao público na cidade, o Museu Allen, e imprimiu na quinta o seu gosto pela arte, arquitetura e natureza. Em torno da casa desenvolveu um jardim romântico onde reuniu espécies vegetais provenientes de diferentes partes do mundo, refletindo o espírito colecionista que caracterizou a época – tem uma das maiores coleções de camélias do Séc. XIX e uma fabulosa coleção de árvores exóticas, provenientes de todos os continentes.
Após a sua morte, a propriedade foi herdada pelo filho, Alfredo Allen, enólogo, agricultor e apaixonado pela jardinagem. Alfredo ampliou a quinta através da aquisição das vizinhas Quintas da Vesada e de Vila Verde, enriquecendo os jardins e a coleção botânica iniciada pelo pai. Teve também um papel relevante no desenvolvimento dos espaços verdes da cidade, sendo um dos principais impulsionadores da construção do Palácio de Cristal e colaborando na introdução de numerosas espécies exóticas em jardins históricos do Porto - para o arranjo paisagístico envolvente ao Palácio, convidou o paisagista alemão - Emilio David - que, nos anos seguintes, com Alfredo Allen como Vereador da Câmara Municipal do Porto, com o pelouro dos espaços públicos e jardins, viria a desenhar e construir os jardins da Cordoaria, do Carregal e do Passeio Alegre, colocando nesses jardins muitas das árvores exóticas que Alfredo tinha trazido para Villar d’Allen.
Atualmente, a Quinta de Villar d'Allen conserva um património natural e paisagístico de grande valor. Entre os seus elementos mais emblemáticos destacam-se a extensa coleção de camélias, com cerca de 180 variedades diferentes, a mata, o lago, a estufa, o Jardim dos Cisnes e o jardim formal. O percurso pelos jardins revela ainda uma importante coleção de árvores exóticas oriundas de vários continentes, bem como esculturas e elementos arquitetónicos atribuídos a Nicolau Nasoni. Merece também destaque a fonte proveniente do antigo Mosteiro de Monchique.
A visita à quinta proporciona uma verdadeira viagem ao ambiente romântico do século XIX. O conjunto da casa e dos jardins mantém grande parte das suas características originais, permitindo conhecer a evolução da paisagem, a história da família Allen, o desenvolvimento urbano do Porto e a ligação da família ao comércio do Vinho do Porto.
Em reconhecimento da sua relevância patrimonial, a Casa e a Quinta de Villar d'Allen foram classificadas como Imóvel de Interesse Público em 2010.
Informações para visita
Morada: Rua do Freixo, 194, Porto
Visitas guiadas aos jardins: mediante marcação prévia
Horários de visita:
Contactos:
As visitas são realizadas com acompanhamento guiado pela família, mediante marcação prévia. A visita guiada apresenta a história da evolução dos jardins e da quinta e também relaciona-a com o desenvolvimento urbano do Porto e, ainda, com a história do Vinho do Porto.
Para visitantes individuais, decorrem habitualmente às sextas-feiras e sábados durante a tarde.
Grupos organizados e visitas exclusivas poderão solicitar outras datas, sujeitas a disponibilidade.