A biodiversidade refere-se à variabilidade de genes, espécies e habitats naturais é o suporte para a existência de vida na Terra e para a maior parte das necessidades humanas: os alimentos, as matérias-primas, a água, entre outros, dependem da biodiversidade.
Quanto maior for a diversidade biológica mais sólida é a capacidade do planeta se adaptar a mudanças ambientais e maior é a oportunidade para descobertas no âmbito da medicina, da alimentação, do desenvolvimento económico.
Apesar de densamente urbanizada, a cidade do Porto continua ser habitat para uma grande diversidade de seres vivos. Segundo o inaturalist estão identificadas na cidade mais 2000 espécies, das quais 162 são aves, 232 são fungos, 9 são anfíbios, 737 são insetos e cerca de 700 plantas, entre outros grupos.
O Município do Porto está a desenvolver a Estratégia da Biodiversidade da cidade com o objetivo de conhecer a biodiversidade da cidade de uma forma mais sistemática e elaborar um plano de ação, que identifique medidas e ações específicas que devem ser implementados para conservar e promover a biodiversidade existente e potencial no seu território.
No Relatório da Campanha de Primavera, realizado no âmbito da primeira fase de implementação da estratégia, foram registados 439 táxones de diversidade florística, 71 espécies de aves incluindo 3 ameaçadas ou quase ameaçadas em Portugal, 6 espécies de anfíbios, 8 espécies de répteis e 9 espécies de mamíferos incluindo o coelho-ibérico, espécie com estatuto de ameaça em Portugal.
Como forma de conservar e promover a biodiversidade, o Município investe em diversos projetos. Conheça alguns:
Água com Vida Porto
O Água com Vida Porto é um projeto que decorre na sequência do MoRe Porto - Monitorização e Restauro da Biodiversidade das Zonas Húmidas da Cidade do Porto, desenvolvido pela Câmara Municipal do Porto em parceria com o CIIMAR.
O projeto tem como objetivos:
- Mapeamento e caracterização das Zonas Húmidas (Espécies emblemáticas e indicadoras de qualidade do ecossistema; Identificação morfológica e molecular; Estado de conservação e ameaças);
- Restauro e criação de novas massas de água com recurso a soluções baseadas na natureza;
- Recuperação da biodiversidade e otimização os serviços de ecossistema.
Este projeto inclui a formação teórico-prática de meia centena de colaboradores do Departamento Municipal de Estrutura Verde e Gestão Infraestruturas, para aquisição de conhecimento e competências que permitam a correta gestão e manutenção das massas de água da cidade. Cerca de vinte técnicos do Departamento Municipal de Planeamento e Gestão Ambiental também tiveram formação no âmbito deste projeto, mas mais orientada para a educação ambiental e para a gestão de projetos.
O Água com Vida Porto também abarca o desenvolvimento de ações de educação e sensibilização sobre valor das Zonas Húmidas e a sua biodiversidade, com escolas locais e com a população em geral, através do projeto Roteiro dos Anfíbios.
Anilhagem Científica de Aves Selvagens
A anilhagem científica é uma ferramenta aplicada essencial para o estudo científico das aves e das suas migrações, que consiste na colocação de uma pequena anilha de metal, marcada com uma combinação de caracteres exclusiva que permite identificar cada indivíduo.
No momento da anilhagem é efetuado o registo da anilha, data e local, bem como um conjunto de informações do indivíduo capturado (espécie, sexo e biometrias). A cada recaptura os dados são atualizados, fornecendo, deste modo, informações fundamentais, quer para o estudo da vida da ave, quer das suas movimentações.
O trabalho desenvolve-se bimensalmente: um dia na estação fixa de anilhagem do Parque Oriental e outro, numa estação móvel, nos outros espaços, a saber: Parque Oriental, Jardins do Palácio de Cristal, Horta da Oliveira, Viveiro Municipal, Horta do Hospital Conde Ferreira, Horta das Condominhas, Horta da Lada, Parque da Asprela, Parque de S. Roque, Parque da Cidade, Quinta do Covelo, Parque das Virtudes, Parque da Pasteleira, Jardim do Passeio Alegre e Parque das Águas do Porto.
Até ao final de 2025 foram realizadas 42 sessões, tendo sido capturados e anilhados ou recapturados, 426 indivíduos (392 capturas e 34 recapturas) de 34 espécies diferentes. Algumas das espécies anilhadas foram o Pisco-de-peito-ruivo, o Chapim-carvoeiro, a Carriça, o Pica-pau-verde e o Tentilhão-comum, mas o destaque vai para o Papa-moscas-cinzento (Muscicapa striata), ave migratória com estatuto de conservação “quase ameaçado”.
Foram ainda elaboradas listas de observação de espécies em cada uma das sessões e devidamente registadas na app eBird, totalizando 56 espécies diferentes como a Estrelinha-real, o Chapim-azul, a Fuinha-dos-juncos, a Trepadeira-comum, a Coruja-do-mato, a Cegonha-branca, entre outras.
Algumas destas sessões de anilhagem estão abertas à participação da população para os interessados em conhecer quais as aves que partilham a cidade connosco e descobrir a importância dos espaços verdes para estes animais.
Viveiro de árvores e arbustos autóctones
Localizado no Viveiro Municipal do Porto, o projeto Viveiro de Árvores e Arbustos Autóctones do FUTURO tem como objetivo a produção de árvores e arbustos autóctones que são utilizados nos projetos de promoção da biodiversidade na cidade do Porto como a “Rede de Biospots” e o programa “Se tem uma jardim, temos uma árvore para si”.
Monitorização da vespa-asiática
O Município do Porto tem em curso um programa de monitorização e destruição de ninhos de vespa asiática (Vespa velutina), que é uma espécie exótica predadora da abelha europeia e, portanto, constitui uma ameaça à biodiversidade e a alguns setores económicos, nomeadamente o da produção de mel e o da produção de frutas, já que a existência dos frutos depende das abelhas (polinizam as flores).
Todos os avistamentos de vespas ou de ninhos (mesmo em caso de dúvida) devem ser comunicados para Linha Porto. (220 100 220).
Eliminação do uso de pesticidas químicos
Em 2015 o Município do Porto, consciente do risco do glifosato para a saúde dos ecossistemas e humana, baniu o uso deste pesticida químico no controlo das (injustamente) designadas “ervas daninhas”.
Os Polinizadores do Parque
Em 2021 iniciou-se no Parque Oriental um projeto que incide na implementação de práticas de manutenção diferenciada de revestimento herbáceo, promotoras da biodiversidade, com especial enfoque na criação de condições para a atração e sustentabilidade de comunidades de insetos polinizadores.
Articulando três áreas de conhecimento (arquitetura paisagista, botânica e entomologia), a estratégia deste projeto passa pela alteração de práticas de manutenção que permitem que as plantas anuais e bianuais completem o seu ciclo reprodutivo e, dessa forma, que os animais, em especial os insetos polinizadores, usufruam dos recursos florísticos.